Sumário da apostila
1. Apresentação2. Sumário3. Morfologia4. Frase, oração e período5. Análise sintática6. Colocação pronominal7. Regências8. Crase9. Conjugação e ortografia10. Pontuação e vírgulasComeçando no Português com a Patrulha
Apostila prática para concursos, com foco no padrão de cobrança da Marinha: teoria clara, exemplos explicados e exercícios para transformar regra em aplicação.
Sumário
A apostila foi estruturada para acompanhar o programa de Língua Portuguesa e o modo como a disciplina aparece nas provas de referência: compreensão do texto, gramática aplicada ao contexto, correção normativa e análise de estruturas linguísticas.
- 1.Apresentação1
- 2.Sumário2
- 3.Morfologia e classes de palavras3
- 4.Frase, oração e período; período simples e composto4
- 5.Análise sintática5
- 6.Colocação pronominal6
- 7.Regência verbal e regência nominal7
- 8.Crase8
- 9.Conjugação verbal e Novo Acordo Ortográfico9
- 10.Pontuação e vírgulas10
Leia a teoria, refaça mentalmente cada exemplo e só depois resolva os exercícios. Ao errar, volte à regra exata que explica o erro. Em Português para concurso, o ganho vem da capacidade de reconhecer a regra dentro de uma frase real.
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3. Morfologia e classes de palavras
Morfologia é a parte da gramática que estuda a estrutura, a formação, a flexão e a classificação das palavras. Para a prova, a pergunta essencial não é apenas “que palavra é esta?”, mas também “que função e que valor ela assume neste contexto?”.
Nas provas oficiais analisadas, classes de palavras costumam aparecer ligadas a sentido, referência, reescrita e sintaxe. Uma mesma forma pode mudar de classe conforme o uso. Por isso, classifique a palavra no contexto, não isoladamente.
Classes variáveis
Substantivo
Nomeia seres, lugares, instituições, ações, estados, sentimentos ou conceitos.
Artigo
Acompanha o substantivo e ajuda a determiná-lo. Pode ser definido (o, a, os, as) ou indefinido (um, uma, uns, umas).
Adjetivo
Atribui característica, estado ou qualidade a um substantivo, diretamente ou por intermédio de verbo de ligação.
Numeral
Indica quantidade, ordem, multiplicação ou fração.
Pronome
Substitui, retoma ou acompanha um nome, podendo indicar pessoa, posse, posição, indefinição, relação etc.
Verbo
Expressa ação, estado, mudança de estado, ocorrência ou fenômeno e se flexiona em modo, tempo, número e pessoa.
Classes invariáveis
Advérbio
Modifica verbo, adjetivo, outro advérbio ou, em certos usos, a oração inteira, acrescentando circunstância ou avaliação.
Preposição
Liga termos e estabelece relação de dependência: de, em, com, por, para, a etc.
Conjunção
Liga termos ou orações e expressa relações como adição, oposição, causa, condição, concessão e conclusão.
Interjeição
Expressa reação, emoção, apelo ou estado afetivo.
Exemplos comentados
1. “Os candidatos disciplinados revisaram cuidadosamente aquela apostila.”
os = artigo; candidatos = substantivo; disciplinados = adjetivo; revisaram = verbo; cuidadosamente = advérbio; aquela = pronome demonstrativo; apostila = substantivo.
2. “O não do comandante encerrou a discussão.”
A palavra “não”, normalmente advérbio, está substantivada porque vem determinada pelo artigo o e funciona como núcleo de um grupo nominal. Esse tipo de mudança de classe é frequente em questões contextualizadas.
Exercícios de fixação
1. Em “A equipe respondeu extremamente rápido”, a palavra “extremamente” é:
2. Em “Esta decisão alterou o planejamento”, “Esta” é:
3. Assinale a alternativa em que o termo destacado funciona como preposição.
4. Em “O não foi definitivo”, a palavra “não” funciona, no contexto, como:
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1-C. “Extremamente” modifica o advérbio “rápido”, intensificando-o.
2-B. “Esta” acompanha “decisão” e a situa no campo demonstrativo.
3-C. “Com” liga “falou” a “o instrutor”.
4-A. O artigo “o” substantiva o advérbio “não”.
4. Frase, oração e período
Esses conceitos parecem semelhantes, mas não são sinônimos. A distinção depende principalmente da existência de verbo e da quantidade de orações.
Frase
Todo enunciado capaz de transmitir uma mensagem em uma situação de comunicação. Pode ter verbo ou não.
Com verbo: A prova começou.
Oração
Estrutura sintática organizada em torno de um verbo ou locução verbal.
Período
Frase constituída por uma ou mais orações e delimitada, na escrita, por pontuação conclusiva.
Período simples e período composto
Período simples
Tem uma única oração, portanto um único núcleo verbal principal.
Período composto
Tem duas ou mais orações.
Há dois verbos nucleares: revisou e resolveu.
Uma locução verbal pode conter dois ou mais verbos e ainda representar uma única oração: “Os candidatos devem estudar hoje”. Já “Os candidatos estudaram e revisaram” contém duas orações.
É comum apresentar um período e pedir a quantidade de orações, a relação entre elas ou a classificação de uma oração. O primeiro passo seguro é localizar os núcleos verbais; o segundo é verificar como as orações se conectam.
Coordenação e subordinação: noção inicial
Coordenação ocorre quando as orações têm independência sintática entre si: “O edital saiu e os candidatos começaram a revisão”. Subordinação ocorre quando uma oração exerce função em relação a outra: “Quando o edital saiu, os candidatos começaram a revisão”.
“Quando o alarme tocou, os militares interromperam a atividade e seguiram para o ponto de reunião.”
- Quando o alarme tocou — oração subordinada adverbial temporal.
- os militares interromperam a atividade — oração principal.
- e seguiram para o ponto de reunião — oração coordenada aditiva em relação à anterior.
É um período composto com três orações.
Exercícios de fixação
1. Assinale a alternativa que apresenta uma frase nominal, isto é, sem verbo.
2. Em “Os alunos devem revisar o conteúdo”, há:
3. “O candidato leu o edital e organizou o cronograma” é:
4. Em “Se o mar estiver agitado, a embarcação permanecerá no porto”, a primeira oração expressa:
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1-B. “Que noite tranquila!” transmite mensagem sem apresentar verbo.
2-A. “Devem revisar” é uma locução verbal e constitui um único núcleo.
3-B. Há duas formas verbais nucleares: “leu” e “organizou”.
4-C. A conjunção “se” introduz condição.
5. Análise sintática
Analisar sintaticamente é identificar o papel que cada termo exerce na estrutura da oração. A sequência de estudo mais segura é: localizar o verbo, identificar seu sujeito, verificar a predicação verbal e só então classificar os demais termos.
Funções sintáticas aparecem dentro de frases reais, frequentemente associadas a pronomes relativos, regência, pontuação e reescrita. Não basta memorizar uma definição; é preciso justificar a função pela relação entre os termos.
Termos essenciais
Sujeito
Termo sobre o qual se declara algo. Seu núcleo costuma ser substantivo, pronome ou palavra substantivada.
Predicado
Tudo aquilo que se declara a respeito do sujeito.
Termos integrantes
- Objeto direto: completa, em regra, verbo transitivo direto sem preposição exigida. A equipe entregou o relatório.
- Objeto indireto: completa verbo transitivo indireto com preposição exigida. A equipe obedeceu ao regulamento.
- Complemento nominal: completa o sentido de substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio, normalmente por meio de preposição. A necessidade de revisão ficou evidente.
- Agente da passiva: indica quem pratica a ação em construção passiva. O relatório foi revisado pela equipe.
Termos acessórios
Adjunto adnominal
Determina ou caracteriza um substantivo: artigos, adjetivos, locuções adjetivas, pronomes adjetivos e numerais podem exercer essa função.
Adjunto adverbial
Expressa circunstância de tempo, lugar, modo, causa, finalidade, condição etc.
Aposto
Explica, resume, enumera ou especifica outro termo.
Vocativo
Termo usado para chamar ou interpelar o interlocutor. Não integra sujeito nem predicado.
Predicativo do sujeito: atribui característica ao sujeito: “O resultado ficou claro”. Predicativo do objeto: atribui característica ao objeto: “A banca considerou o enunciado ambíguo”.
Exemplos comentados
1. “Os candidatos atentos resolveram a prova com tranquilidade.”
sujeitoresolveram
verboa prova
objeto diretocom tranquilidade
adjunto adverbial
2. “O comandante entregou o relatório ao oficial.”
“o relatório” = objeto direto; “ao oficial” = objeto indireto. O verbo entregar admite dois complementos nessa construção: entregar algo a alguém.
Exercícios de fixação
1. Em “A equipe entregou o relatório ao comandante”, “ao comandante” é:
2. Em “A resposta correta tranquilizou os candidatos”, “os candidatos” é:
3. Assinale a frase em que há vocativo.
4. Em “A banca considerou a questão difícil”, “difícil” é:
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1-C. O destinatário da entrega é introduzido pela preposição a.
2-B. “Tranquilizou quem?” — os candidatos.
3-A. “Candidatos” interpela diretamente os destinatários.
4-B. O adjetivo atribui característica ao objeto “a questão”.
6. Colocação pronominal
Colocação pronominal é a posição dos pronomes oblíquos átonos — me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes — em relação ao verbo. Há três posições: próclise, ênclise e mesóclise.
A banca costuma oferecer construções muito parecidas e exigir a forma adequada à norma-padrão. O ponto decisivo costuma ser a presença de uma palavra atrativa ou o tempo verbal empregado.
Próclise
O pronome aparece antes do verbo: “Não me avisaram”. É exigida, em regra, quando há termo que atrai o pronome.
Principais atrativos
- palavras negativas: não, nunca, jamais, ninguém, nada;
- pronomes relativos: que, quem, cujo, onde;
- pronomes indefinidos: alguém, tudo, qualquer;
- conjunções subordinativas: quando, se, embora, porque;
- advérbios sem pausa forte: ontem me avisaram;
- orações interrogativas, exclamativas e optativas, conforme a estrutura.
Ênclise
O pronome aparece depois do verbo: “Entregaram-me o material”. É favorecida no início de oração afirmativa, quando não existe atrativo.
Mesóclise
O pronome aparece no interior da forma verbal: “Dir-lhe-ei a verdade”. Ocorre com futuro do presente ou futuro do pretérito quando não há palavra atrativa.
Se houver atrativo, usa-se próclise: “Nunca lhe direi isso”, e não “Nunca dir-lhe-ei”.
| Colocação | Posição | Situação típica | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Próclise | antes do verbo | há palavra atrativa | Não o vi. |
| Ênclise | depois do verbo | início de oração afirmativa, sem atrativo | Vi-o ontem. |
| Mesóclise | no meio do verbo | futuro sem atrativo | Dar-lhe-ei retorno. |
Não disseram-me a verdade. → Não me disseram a verdade.
Jamais entregar-te-ei o relatório. → Jamais te entregarei o relatório.
Na fala brasileira, iniciar frase com pronome átono (“Me avisaram”) é corrente. Em prova de norma-padrão tradicional, entretanto, costuma-se preferir a ênclise no início da oração afirmativa: “Avisaram-me”.
Exercícios de fixação
1. Assinale a frase adequada segundo a norma-padrão tradicional.
2. Em “Dir-se-ia que o problema estava resolvido”, ocorre:
3. Assinale a alternativa correta.
4. Com o advérbio “jamais” sem pausa, a construção adequada é:
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1-B. A negação “não” atrai o pronome.
2-C. “Dir-se-ia” insere o pronome no futuro do pretérito.
3-B. O pronome interrogativo “quem” favorece próclise.
4-B. “Jamais” é palavra negativa e exige próclise.
7. Regência verbal e regência nominal
Regência estuda a relação entre um termo regente e seu complemento. Em prova, a dificuldade está em saber se há preposição obrigatória e qual preposição o uso culto consagra.
As questões costumam combinar regência com pronome relativo, crase e reescrita. Memorize o verbo ou o nome junto da preposição: “obedecer a”, “favorável a”, “aversão a”.
Regência verbal
assistir
Ver, presenciar: assistir a. “Assistimos ao treinamento.”
Prestar assistência: tradicionalmente, verbo transitivo direto: “O médico assistiu o paciente”.
aspirar
Desejar: aspirar a — “Aspira ao cargo”.
Sorver, inalar: sem preposição — “Aspirou o aroma”.
obedecer / desobedecer
Regem preposição a: “Obedeceu às normas”.
preferir
Estrutura recomendada: preferir X a Y. “Prefiro estudo a improviso.” Evite “preferir mais” e “preferir do que” em questões normativas.
implicar
Acarretar: em uso tradicional de prova, sem preposição: “A decisão implica riscos”.
Antipatizar: “implicar com alguém”.
visar
Ter por objetivo: visar a — “O projeto visa à melhoria”.
Pôr visto / mirar: sem a preposição exigida nesse sentido: “O gerente visou o documento”.
Regência nominal
Nomes — substantivos, adjetivos e alguns advérbios — também podem exigir complemento preposicionado.
| Nome | Regência frequente | Exemplo |
|---|---|---|
| amor | a / por | amor à profissão; amor pelos estudos |
| aversão | a | aversão à injustiça |
| dúvida | sobre / acerca de | dúvida sobre o edital |
| favorável | a | favorável à proposta |
| referente | a | referente ao processo |
| necessário | a / para | informação necessária à análise; estudo necessário para a prova |
| capaz | de | capaz de resolver |
| compatível | com | compatível com a norma |
“O candidato assistiu à aula.” — “assistir” no sentido de presenciar rege a; “aula” admite artigo a; a + a = à.
“O médico assistiu o ferido.” — no sentido de prestar assistência, a tradição normativa registra o emprego transitivo direto.
Exercícios de fixação
1. Assinale a alternativa adequada à norma-padrão.
2. Complete: “O candidato aspira ___ aprovação”.
3. Assinale a alternativa correta.
4. Em “A decisão implica novos riscos”, o verbo “implicar” significa:
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1-C. A construção normativa é “preferir X a Y”.
2-B. “Aspirar”, no sentido de desejar, rege a; “aprovação” admite artigo: à.
3-A. “Favorável” rege a preposição a.
4-B. No contexto, “implica” equivale a “acarreta”.
8. Crase
Crase não é “um acento”. Crase é a fusão de dois sons /a/. O acento grave (`) apenas sinaliza essa fusão na escrita. Na situação mais comum, temos a preposição a exigida pelo termo anterior + o artigo feminino a/as do termo seguinte.
Crase aparece em itens de correção, reescrita e regência. A banca explora sobretudo: exigência da preposição, presença ou ausência de artigo, locuções femininas, horas, pronomes demonstrativos, nomes de lugar e casos facultativos.
1. Antes de aplicar qualquer regra: faça duas perguntas
- O termo anterior exige a preposição a? Ex.: “referir-se a”, “obedecer a”, “favorável a”.
- O termo seguinte admite artigo feminino a/as ou começa por aquele/aquela/aquilo? Se as duas respostas forem positivas, normalmente haverá crase.
2. Casos em que ocorre
- Antes de palavra feminina com artigo: “Refiro-me à apostila”.
- Locuções adverbiais femininas: à tarde, às pressas, à direita, à vontade, às vezes.
- Locuções prepositivas e conjuntivas femininas: à espera de, à procura de, à medida que, à proporção que.
- Horas determinadas: “A prova começa às 8 horas”. Compare: “Daqui a duas horas” — aqui há apenas preposição indicando intervalo futuro.
- Demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: “Refiro-me àquele edital”.
- Expressão à moda de, mesmo elíptica: “bife à milanesa”; “gol à Pelé” (= à moda de Pelé).
3. Casos em que não ocorre
- Antes de palavra masculina: pagamento a prazo; andar a cavalo.
- Antes de verbo: começou a estudar; voltou a trabalhar.
- Antes da maioria dos pronomes pessoais: entreguei a ela; pedi a você.
- Entre palavras repetidas: cara a cara; frente a frente; gota a gota.
- Antes de artigo indefinido: referiu-se a uma norma.
- Com “a” singular diante de palavra plural sem artigo: o texto se refere a questões antigas.
4. Teste do masculino
Troque o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer ao, a forma feminina tende a exigir à.
Fui à biblioteca. → Fui ao arquivo.
Referi-me à norma. → Referi-me ao regulamento.
O teste ajuda, mas não substitui a análise da regência e do artigo.
5. Nomes de lugar
Use a pergunta “volto de” ou “volto da”?
Sem artigo → sem crase
Vou a Brasília.
Volto de Brasília.
Com artigo → com crase
Vou à Bahia.
Volto da Bahia.
6. Casa e terra
casa
Quando significa “lar” e aparece sem especificação, costuma ocorrer sem artigo: “Voltei a casa cedo”. Se estiver determinada, o artigo reaparece: “Voltei à casa dos meus pais”.
terra
Na oposição tradicional bordo × terra, sem determinação, não se emprega artigo: “Os marinheiros chegaram a terra”. Com especificação, pode ocorrer: “Voltaram à terra natal”. O nome próprio do planeta Terra deve ser analisado conforme a construção e o uso de artigo.
7. Casos facultativos relevantes
- Antes de possessivo feminino singular: “referi-me a sua proposta” / “referi-me à sua proposta”, conforme presença do artigo.
- Antes de nome próprio feminino que admite artigo: “entreguei a/à Ana”, dependendo do uso do artigo na variedade linguística adotada.
- Depois de até: “fui até a sala” / “fui até à sala”, conforme a análise normativa adotada; em concurso, observe a referência usada pela banca.
à partir de → a partir de.
à prazo → a prazo.
entreguei à ela → entreguei a ela.
começou à estudar → começou a estudar.
Exemplos comentados
“Cheguei à escola cedo.” O verbo chegar rege preposição a; “escola” admite artigo a. Resultado: à.
“Entreguei o relatório a ela.” O pronome pessoal “ela” não vem precedido de artigo nesse uso. Há apenas a preposição: a.
“Saíram às pressas.” “Às pressas” é locução adverbial feminina cristalizada com crase.
“Daqui a três dias.” O a marca tempo futuro; não há artigo a fundir.
Exercícios de fixação
1. Assinale a alternativa em que a crase está corretamente empregada.
2. Assinale a alternativa correta.
3. Em qual alternativa a ausência de crase é obrigatória?
4. “Voltaremos ___ Bahia no próximo mês.” A forma adequada é:
5. Assinale a construção correta.
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1-C. “Referir-se” rege a; com “aquela”, ocorre àquela.
2-A. Horas determinadas recebem crase nesse contexto.
3-C. Não há crase antes de verbo no infinitivo.
4-B. “Bahia” admite artigo: volto da Bahia → vou à Bahia.
5-A. A locução é “a partir de”, sem crase.
9. Conjugação verbal e Novo Acordo Ortográfico
Flexão verbal costuma aparecer em concordância, reescrita e escolha da forma correta. Ortografia aparece tanto isoladamente quanto dentro de frases. A resposta depende da forma oficial vigente, não da aparência que “parece familiar”.
Conjugação verbal
O verbo varia segundo modo, tempo, pessoa e número.
Modos
- Indicativo: apresenta o fato como real ou certo: “eles estudam”.
- Subjuntivo: apresenta hipótese, desejo, possibilidade ou condição: “se eles estudassem”.
- Imperativo: expressa ordem, pedido, conselho ou instrução: “estudem com atenção”.
Tempos: ideia central
Os tempos situam o fato em relação ao momento de fala e a outros fatos. Em concurso, atenção especial às formas irregulares e ao futuro do subjuntivo.
| Verbo | Forma importante | Exemplo |
|---|---|---|
| vir | vier | Se ele vier, avise. |
| ver | vir | Quando eu vir o resultado, aviso. |
| intervir | intervier | Se a autoridade intervier... |
| manter | mantiver | Se a equipe mantiver o ritmo... |
| pôr | puser | Quando ele puser o documento... |
| requerer | requeiro / requereu | Eu requeiro; ele requereu. |
Novo Acordo Ortográfico: pontos de alta utilidade
Trema
Foi abolido nas palavras portuguesas: linguiça, tranquilo, cinquenta. Mantém-se em nomes próprios estrangeiros e derivados quando a grafia original o exige.
Ditongos abertos em paroxítonas
Perderam o acento: ideia, assembleia, heroico, jiboia. Atenção: oxítonas continuam acentuadas quando a regra exige: herói, papéis.
Hiatos oo e ee
Perderam o circunflexo: voo, enjoo, leem, veem, creem, deem.
Acentos diferenciais que permanecem
- pôr (verbo) × por (preposição);
- pôde (pretérito) × pode (presente);
- têm / vêm (plural) × tem / vem (singular).
Hífen: regras de alto rendimento
- Prefixo termina na mesma vogal com que começa o segundo elemento: micro-ondas, anti-inflamatório.
- Prefixo termina em vogal diferente da inicial seguinte: em muitos casos, sem hífen: autoescola, infraestrutura.
- Diante de h, em regra, usa-se hífen: anti-higiênico, super-homem.
- Se o prefixo termina em consoante e o segundo elemento começa pela mesma consoante: inter-regional, super-resistente.
- Com co-, em geral há aglutinação: coautor, cooperação.
A hifenização possui muitos casos lexicais. Em dúvida de grafia, a fonte oficial de consulta é o VOLP da Academia Brasileira de Letras.
Exercícios de fixação
1. Assinale a forma correta do verbo “intervir” no futuro do subjuntivo.
2. Segundo a ortografia vigente, assinale a alternativa correta.
3. Assinale a frase correta.
4. Assinale a grafia correta.
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1-B. “Intervir” segue “vir”: se ele vier → se ele intervier.
2-C. Paroxítonas com ditongo aberto perderam o acento nesses casos.
3-B. O futuro do subjuntivo de “ver” é “vir”.
4-B. Prefixo terminado em “o” + palavra iniciada por “o”: micro-ondas.
10. Pontuação e vírgulas
Pontuação não é um sistema de “pausas para respirar”. Os sinais organizam a estrutura sintática, delimitam unidades, indicam relações de sentido e podem alterar a interpretação de uma frase.
A vírgula aparece frequentemente associada à sintaxe. Para decidir se ela é obrigatória, facultativa ou proibida, identifique primeiro a função dos termos e a relação entre as orações.
Vírgula: usos principais
- Enumeração: separa elementos de mesma função. O candidato levou documento, caneta, comprovante e edital.
- Vocativo: isola o chamamento. Candidatos, confiram o número da prova.
- Aposto explicativo: isola informação explicativa. A Marinha do Brasil, instituição centenária, possui ampla tradição histórica.
- Adjunto adverbial deslocado: especialmente quando longo ou destacado. Depois da revisão final, a equipe entregou o documento.
- Oração subordinada adverbial anteposta: Embora estivesse cansado, o candidato continuou.
- Elementos intercalados: expressões explicativas, retificativas, conclusivas ou adversativas podem ser isoladas. O resultado, portanto, depende da análise completa.
Quando a vírgula não deve separar
Sujeito e verbo: Os candidatos, chegaram cedo. → Os candidatos chegaram cedo.
Verbo e complemento: A equipe entregou, o relatório. → A equipe entregou o relatório.
Nome e complemento que lhe é diretamente ligado: A necessidade, de revisão ficou evidente. → A necessidade de revisão ficou evidente.
Uma expressão intercalada pode criar vírgulas nesses pontos, mas elas isolam a expressão intercalada — não separam arbitrariamente os termos essenciais.
Vírgula antes de “e”
Em enumerações simples, normalmente não se usa: “leu, analisou e respondeu”. A vírgula pode aparecer em contextos específicos, como mudança nítida de sujeito, valor adversativo ou necessidade de clareza: “O comandante encerrou a reunião, e os oficiais seguiram para seus setores”. Não transforme “nunca se usa vírgula antes de e” em regra absoluta.
Outros sinais
Ponto e vírgula (;)
Separa partes relativamente extensas ou itens complexos de uma enumeração.
Dois-pontos (:)
Introduzem explicação, enumeração, citação ou consequência anunciada.
Travessão (—)
Pode marcar fala, destacar termo intercalado ou produzir ênfase.
Parênteses e aspas
Parênteses inserem informação acessória. Aspas podem marcar citação, palavra mencionada, sentido especial ou distanciamento.
Exemplo comentado
“Depois da revisão final, os candidatos, já mais confiantes, iniciaram a prova.”
A primeira vírgula delimita o adjunto adverbial antecipado “Depois da revisão final”. O par de vírgulas isola a expressão intercalada “já mais confiantes”, que acrescenta uma informação circunstancial/caracterizadora sem quebrar a estrutura principal: “os candidatos iniciaram a prova”.
Exercícios de fixação
1. Assinale a alternativa corretamente pontuada.
2. Assinale a frase em que não há separação indevida entre sujeito e verbo.
3. Assinale a alternativa em que o vocativo está corretamente isolado.
4. Em “Embora o mar estivesse agitado, a missão prosseguiu”, a vírgula:
Ver gabarito comentado
1-B. O adjunto adverbial antecipado está adequadamente delimitado.
2-C. Sujeito e verbo permanecem unidos.
3-B. “Candidatos” é vocativo e deve ser isolado.
4-B. A oração concessiva vem antes da principal e é delimitada por vírgula.
Referências de orientação do volume
Conteúdo autoral elaborado para a Patrulha dos Concurseiros e organizado segundo o programa de Língua Portuguesa do concurso de referência. Orientação normativa baseada na bibliografia indicada no programa — Celso Cunha & Lindley Cintra, obras de Ingedore Villaça Koch e Vanda Maria Elias e Dicionário Houaiss — e conferência de usos ortográficos e de redação em fontes oficiais, como VOLP/Academia Brasileira de Letras, Manual de Redação da Presidência da República e Manual de Comunicação do Senado. As questões e exemplos desta apostila são autorais e não reproduzem questões protegidas de provas ou livros.
Estudar Português para concurso não é decorar listas sem contexto. É aprender a reconhecer relações entre palavras, termos e orações e usar a norma para interpretar e reescrever com precisão. Volte aos seus erros: eles mostram exatamente qual regra precisa ser fortalecida.